Decifrando a magia de Old Dragon [Parte 2 de ??]

2Hora da segunda postagem da série na qual tentarei decifrar a magia do Old Dragon. Dessa vez falaremos das magias divinas de 2º círculo.

Na postagem anterior separamos a nomenclatura das magias em “Verbo”, “Verbo+substantivo”, “Substantivo adjetivado” e “Substantivo”. Isso continua. O negócio é que eu meio que já não levo muita fé naquele lance dessa ser a base do poder da magia.

Como citado anteriormente, existem as magias “Luz” e “Desejo”, diametralmente (!) opostas na escala de poder de magias. Uma simplesmente cria uma luz enquanto outra faz basicamente qualquer coisa. E é por aí que eu acho que encontraremos uma resposta, respondendo a seguinte pergunta:

De quantas maneiras a magia quebra as regras do jogo?

 

Sejamos sinceros: magias nada mais são que quebras de regras permitidas para magos e clérigos. Já esbocei o início de uma postagem sobre isso aqui, mas não desenvolvi. Em resumo: magos e clérigos podem quebrar as regras não só do universo, mas como do próprio jogo. Vamos olhar a tabela desta vez.

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Magias divinas de 2º círculo

A grosso modo, cada uma delas permite que o clérigo faça algo que não poderia de forma mundana. OK, esse é o significado de “magia”. Mas que tipo de REGRAS as magias estão quebrando para isso? Por que um clérigo não conseguiria fazer isso por “default”? Não estamos falando de “o martelo espiritual quebra as regras pois o clérigo cria ele do nada”. Estamos falando disto:

  • Ajuda: aumenta o total de PV de um personagem, que só poderia acontecer ao subir de nível;
  • Bênção: concede um bônus em duas jogadas (ataque e JP-Sab) emulando um aumento de nível, pois deixa as jogadas mais fáceis;
  • Bom fruto: oferece uma alternativa mais rápida à cura natural;
  • Cântico: emula um aumento de nível dos personagens e uma diminuição dos adversários;
  • Detectar armadilhas: emula uma habilidade da classe ladrão;
  • Imobilizar pessoas: anula a regra de que um personagem pode se movimentar e realizar uma ação a cada turno;
  • Lâmina flamejante: subverte o fato de que lâminas não causam dano por fogo, o fato de que clérigos não podem usar armas cortantes e é um equipamento sem peso e custo;
  • Martelo espiritual: equipamento sem peso e custo, similar ao anterior;
  • Obscurecimento: afeta as regras de visibilidade;

Para as magias que não aparecem na lista acima não consegui identificar uma quebra de regra clara. A magia “Mensagem” permite que haja uma conversa básica (similar ao poder mental “Telepatia” do Space Dragon) sem que seja detectada pelos demais. “Silêncio 4,5m” é a mesma coisa. São magias que subvertem algo que logicamente não poderia acontecer, portanto não precisa de regras para ser verdade.

Então podemos dizer que há dois tipos de magia segundo esse ponto de vista: a que quebra as regras e a que quebra a lógica. Não que magias interferindo nas regras também não represente uma brecha na lógica (um míssil mágico não é algo muito racional), mas afeta também diretamente alguma regra.

Desse modo consigo enxergar um sistema em que o que determina o poder da magia é essa quebra de regras ou lógica, com sugestões do que pode ser afetado em determinada regra. Se o intuito for mexer na regra do Bônus de Ataque por exemplo, uma “anulação de regra” zeraria o BA, um “bônus substancial” daria um bônus de +4 e uma “subversão” faria o Homem de Armas usar a tabela de BA do mago. Mas são só especulações.

Fico por aqui nesta postagem, afinal acho que já rendeu uns bons insights. Aumentando os paradigmas:

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Paradigmas:

  • Magias quebram as regras ou a lógica;
  • Clérigos têm mais facilidade em conjurar magias de cunho pessoal e não-intrusivo.
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Decifrando a magia de Old Dragon [Parte 1 de ??]

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Após ver este incrível projeto de cartas de magia para Old Dragon lembrei de uma antiga ideia minha: decifrar a magia no dragão idoso. E por “decifrar” eu digo tentar fazer o que muitos acham impossível ou mesmo abominam: tentar criar ordem no caos, absorver conhecido ancestral proibido, lidar com forças jamais imaginadas… ou simplesmente inventar regras de criar magias.

Todos sabemos que simplesmente não precisamos de regras para isso. Mas eu gosto de tentar decifrar padrões de coisas que supostamente não seguem nenhum, então me deu vontade de escrever sobre isso. E como eu sei que não vou terminar isso se não me forçar a escrever, estou tornando isto uma série de postagens aqui no Flying Ape (aliás, o site novo tá ficando lindão!). Quantas postagens vai levar eu não sei, mas vou analisar as magias conforme aparecem no Manual Básico do Old Dragon (terceira tiragem).

Tenham em mente que muito do que lerão são meras suposições ou especulação, em especial nas primeiras postagens. Tomara que com o tempo elas fiquem cada vez menores, e conclusões sejam tiradas. O objetivo é:

Criar, através de observação de padrões presentes nas magias divinas e arcanas do Old Dragon, uma maneira de se criar novas magias seguindo padrão das oficiais e/ou derivar um sistema de magia livre utilizando tais padrões.

 

E como vamos seguir a ordem como as magias são apresentadas no OD, começamos com as magias divinas de 1º círculo.

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Tabelinha com anotações…

Decidi organizar as magias em tabelas para referência rápida, uma de cada vez (no ritmo das postagens). Dessa forma os padrões vão ficando mais claros com o tempo (eu espero). Alguns deles são bem conhecidos, em especial na duração (1d4 turnos + 1/nível, 1 hora + 10 minutos/nível, etc.), mas outros acredito serem menos óbvios. Principalmente os nomes das magias.

Já perceberam que todas as magias no OD seguem um padrão de nomenclatura? Ou melhor, 3 padrões. Vou descrevê-los abaixo, junto com as magias da tabela anterior que se encaixam neles.

Verbo + substantivo

Cativar animais, Criar água, Curar/causar ferimentos leves, Detectar alinhamento, Detectar magia, Detectar venenos, Purificar/apodrecer alimentos, Remover medo

Substantivo adjetivado (ou específico)

Arma abençoada, Círculo de fé, Proteção contra calor/frio, Proteção contra alinhamento

Substantivo

Comando, Constrição, Luz, Santuário

É isso que aqueles “VO”, “OA” e outros na tabela significam. Já é um bom começo – perceber um padrão na nomenclatura já pode dar um norte ao projeto. Será que isso pode ser uma escala de medida de poder? Talvez “Remover medo” possa ter uma forma mais poderosa, “Coragem inabalável”, ou uma mais ainda como “Impavidez”. Ou talvez “Remover medo” seja a forma mais poderosa da magia se a escala funcionar ao contrário.

Para verificar em que sentido essa escala pode funcionar temos duas magias para analisar, que são “Cativar animais” e “Luz”. No caso da primeira, existe a magia “Cativar” que pertence ao 2º círculo divino. Essa magia sai até do padrão que definimos acima de “Verbo + substantivo” (isso analisaremos na segunda postagem), mas é claramente mais poderosa que “Cativar animais”. Neste caso podemos dizer que “Verbo” (novo padrão) estaria acima de “Verbo + substantivo”, mas não nos dá informação sobre a posição dos outros padrões na escala.

Isso vem ao analisar “Luz” e sua versão mais poderosa, “Luz Contínua”. Enquanto a primeira é de 1º círculo a segunda é de 3º círculo divino (e 2º arcano, outro detalhe a se abordar no estudo). Então por essa ordem dizemos provisoriamente que “Substantivo adjetivado” está acima de “Substantivo” na escala de poder. Temos algumas hipóteses então:

Verbo > Verbo + substantivo > Substantivo adjetivado > Substantivo

Substantivo adjetivado > Verbo > Verbo + substantivo > Substantivo

Substantivo adjetivado > Substantivo > Verbo > Verbo + substantivo

 

Vamos refinando essa escala conforme passamos pelos círculos. A ideia é que de acordo com o nome da magia seja possível ter um ponto de partida do poder dela, e refiná-la dali com fatores como duração, alcance, bônus e outros mais. Se isso vai trazer algum resultado só o tempo dirá, pois como temos “Luz” no 1º círculo divino temos “Desejo” no 9º círculo arcano, provavelmente a magia mais poderosa no Old Dragon (e abaixo dela “Desejo restrito”, que dá uns nós ali nas escalas propostas…).

No âmbito de magias que são tanto arcanas como divinas, um padrão menor pode ser constatado. As magias “Detectar alinhamento” e “Detectar magia” podem ser usadas tanto por clérigos quanto por magos. Só que “Detectar alinhamento” só fica disponível para magos no 2º círculo, enquanto clérigos podem usá-la desde o começo. Já “Detectar magia” é de 1º círculo para ambos.

Isso mostra que os clérigos têm mais facilidade em conjurar magias de cunho pessoal e não-intrusivo como essas. O próprio conceito da classe já deixa isso implícito, mas é bom ver que isso existe nas regras de certa forma. Vou adicionar isso como um “paradigma” ao final da postagem (e repetir isso nas demais conforme o número for aumentando).

Ah, e o campo de observação na tabela é para as magias que têm alguma restrição ou limitação específica, como a “Arma abençoada” não funcionar com armas que tenham metal. Se for criado um sistema onde cria-se magia com pontos ou algo do tipo, uma limitação pode funcionar como moeda de troca para uma diminuição do círculo da magia, por exemplo.

E é isso, primeira postagem terminada! Continua na segunda (quando ela sair…)! :D

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Paradigmas

  • Clérigos têm mais facilidade em conjurar magias de cunho pessoal e não-intrusivo
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